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Partido Verde e Marina Silva
Projeção da senadora refletiu-se no crescimento, em termos nacionais, do Partido Verde, atraindo considerável quantidade de novos adeptos da causa ambientalista
Da Redação
A desfiliação da ex-senadora Marina Silva do Partido Verde (PV), acompanhada de outros companheiros, é uma decisão que enfraquece o sistema pluripartidário brasileiro, por se tratar do nome de maior expressão na organização fundada em 1986, baseada nas tendências ambientalistas que já floresciam na Europa (principalmente na Alemanha) antes mesmo daquele período.
O seu desligamento não pode ser comparado a uma dessas mudanças de partidos, muito comuns na atividade política brasileira, quando senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores o fazem, alguns por conveniência, outros por motivos diversos. O PV e a ex-senadora chegavam a se confundir, tal o emprenho de quem se dedicou às lutas pela preservação ambiental durante anos, chegando a obter, devido à sua intensa atuação, milhões votos na última eleição presidencial, uma demonstração de confiança da população na sua integridade pessoal e firmeza de propósitos.
Ativistas de movimentos sociais e ambientalistas uniram-se para fazer surgir o Partido Verde, a exemplo de Fernando Gabeira (ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro), Carlos Minc, Alfredo Sirkis, Domingos Fernandes, José Luiz de França Penna e, mais recentemente, a então senadora Marina Silva, em 2009.
Entre os principais aspectos da plataforma programática do PV, constam o desenvolvimento sustentável e a redução da desigualdade social. Ali figuram propostas como o pacifismo, o federalismo, o parlamentarismo, a democracia direta e o poder local. O grupo denominado “Transição Democrática” tinha em Marina Silva sua referência mais importante.
Do programa partidário também estavam inseridas a legalização e a descriminalização do aborto e de drogas, a legalização do casamento homoafetivo, porém, a partir do ingresso da ex-senadora no PV, esses temas passaram a ser rediscutidos por serem temas polêmicos em variados setores da sociedade brasileira, para os quais a ex-senadora propunha a realização de um plebiscito.
No concerto nacional partidário, o Partido Verde sempre pretendeu estar situado além da dicotomia esquerda/direita, buscando conquistar maior espaço político, além de ser o último colocado no ranking dos partidos com maior número de parlamentares acusados de irregularidades ou cassados.
A projeção da senadora refletiu-se no crescimento, em termos nacionais, do Partido Verde, atraindo considerável quantidade de novos adeptos da causa ambientalista. Registre-se, ainda, que em 2006 os verdes obtiveram 3,6% dos votos válidos, enquanto, na eleição para a Presidência da República, Marina Silva alcançou quase 20% de votos.
Agora, quando ela anunciou sua saída do PV, o faz sob a alegação de “manter a coerência”, e não como uma atitude pragmática com vistas às próximas eleições. Ao contrário, enfatizou: “É a negação do pragmatismo a qualquer preço, porque as eleições são parte, não são o fim, não são tudo”, acrescentando que continuará por uma nova maneira de fazer política, afastando das suas perspectivas a hipótese de se tornar permanente detentora da “cadeira cativa de candidata a presidente em 2014”. Enfim, sua desfiliação poderá ser abrandada, caso venha a se engajar em lutas políticas justas como sempre o fez.
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