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Blog de Alfredo Sirkis - RJ
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O Rio e o lixo
O lobby das PET e tubaínas que derrubar a lei que as impede de embalar cervejas com PET. A questão do lixo no Rio é complicada pela cultura economicista da COMLURB. Como será o pós-Seropédica?

Alfredo Sirkis

Cerca de 9 mil toneladas de lixo por dia iam até pouco tempo para esse aterro precário às margens da baia.

O jornal O Globo vem fazendo uma série de reportagens sobre o baixo índice de reciclagem do lixo no Rio de Janeiro. Mencionou uma lei de minha autoria, datando de 1992, que até hoje não foi aplicada que previa a coleta seletiva. Não mencionaram que minha última lei como vereador, em 2010, que proíbe o uso de PET para embalar bebidas alcoólicas acaba de ser objeto de uma ação de inconstitucionalidade por parte do lobby que quer começar a embalar cerveja em garrafas plásticas. Além de ser horrível para qualquer amante da dita cuja --lembra o vin de clochard, o vinho de mendigo, como chamam o vinho em garrafa PET, na França—esse uso pode fazer com que as 11 bilhões (!) de garrafas PET produzidas por ano no Brasil, dobrem de quantidade.

Embora tenha havido alguns avanços em sua reciclagem a maior parte das PET ainda acabam descartadas no solo, praias, rios e canais. É muito difícil que se consiga com elas o mesmo sucesso da reciclagem das latinhas de alumínio, facilmente acondicionáveis e boas de preço. Está sendo prevista a introdução no mercado de uma garrafa plástica muito mais robusta e reutilizável como era o vasilhame na época do “casco”. Isso é uma boa notícia e, de fato, pode dar ensejo a um reaproveitamento quase total. Apresentei no Congresso uma lei similar a da CMRJ agora de alcance nacional. Um poderoso lobby se mobilizou para bloqueá-la por conta das tubaínas da vida. Se de fato emplacar o “casco” de plástico duro o problema vai diminuir mas tenho a impressão que isso ainda vai demorar.

Quanto à coleta seletiva no Rio, é muito simples o que acontece: a COMLURB que é uma das empresas transportadoras de lixo e de limpeza urbana mais eficientes do mundo tem uma resistência cultural imensa contra elas porque afirma que a coleta seletiva e a reciclagem são economicamente onerosas. É verdade. A coleta seletiva mesmo simplificada com apenas dois componentes o lixo seco (os recicláveis) e o molhado (orgânico) tem custos superiores ao simples recolhimento e transporte de tudo misturado ao aterro sanitário. A reciclagem em geral demanda subsídio. Mas se analisarmos o quadro a médio e longo prazo, reciclar e diminuir substancialmente a quantidade de lixo que vai a destino final no aterro acabará sendo uma economia pois vai adiar por muitos anos a necessidade de novos aterros cuja operação é cada vez maquis cara e politicamente espinhosa, sem falar noutras soluções como a incineração que para ser segura exige uma investimento altíssimo.

O lixo do Rio era jogado no mar e na baia. Depois surgiu o vazadouro da Sapucaia, na ilha do Fundão. Nos anos 70 foi criado o lixão de Jardim Gramacho, um crime ambiental inominável. Nos 90, depois da Rio 92, Gramacho passou de vasadouro a aterro controlado e até hoje não foi desativado. Isso deve acontecer ainda esse ano quando será substituído pelo de Seropédica, cuja operação é muito mais cara do que Gramacho e consideravelmente mais do que seria Paciência, onde um novo aterro, mais barato e ambientalmente menos agressivo que o de Seropédica, com a vantagem de ser no município do Rio, foi inviabilizado por um poderoso lobby político montado pelas empresas de lixo que haviam perdido a licitação. Depois, todas se compuseram em Seropédica e o prejuízo fica para o erário do Rio. De qualquer maneira será um alívio pois Gramacho ameaça afundar a qualquer momento.

Qual será a vida útil de Seropédica? Quanto custará ao longo do tempo? E quando se esgotar, dentro de uns 20, 30 anos, como ficará? É preciso mudar a cultura da COMLURB e da prefeitura e investir na reciclagem e na coleta seletiva procurando reduzir ao máximo a quantidade de resíduos que precisam ir a destino final num aterro. Vale a pena investir nisso e não se espera outra coisa de quem vai sediar a Rio + 20. A Rio 92 levou a meia-sola de reformar Gramacho de lixão a aterro precário e a criar um aterro tecnicamente melhor --embora em área inapropriada e distante-- 20 anos mais tarde. Quantos anos depois da Rio + 20 veremos em fim uma parte significativa do nosso lixo coletado em coleta seletiva e reciclado?

Lixão clandestino
Lixão na serra de Miguel Pereira. Até quando???
















Gramacho nos anos 80, quando vasadouro
Gramacho no final dos 90, aterro controlado


















Paciência: politicamente inviabilizado pelo lobby que perdera a licitação
Reciclagem requer subsídio, mas vale a pena


 
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