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Sirkis:"aquecimento pode ir a 4.5 graus até o final do século".
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[(http://g1.globo.com/videos/pernambuco/netv-2edicao/t/edicoes/v/especialistas-internacionais-reunem-no-recife-para-discutir-mudancas-climaticas-no-mundo/1903222/)(NOTICIÁRIO DE TV SOBRE O EVENTO)]
Com cerca de 50 especialistas brasileiros e de sete outros países realizou-se, no final de semana, em Recife, a reunião preparatória do Rio/Clima – The Rio Climate Challenge. O objetivo foi preparar a grande reunião dessa iniciativa durante ao Rio + 20, dos dias 14 a 17. Participaram o ex-ministro da cultura Gilberto Gil, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o secretario de meio-ambiente daquele estado, Sérgio Xavier, o secretario executivo do Forum Brasileiro de Mudanças Climáticas(FBMC), Luís Pinguelli, o secretario executivo do Fórum de Mudanças Climáticas do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman –representando o prefeito do Rio, Eduardo Paes-- o ex-presidente do FBMC, Fabio Feldmann, a responsável de economia verde do governo do Rio de Janeiro, Suzana Khan, o professor Emilio de La Rovere da COPPE, ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro Tasso Azevedo, o professor Eduardo Viola, os professores do MIT e da Tufts University Travis Franck e Mieke van der Wassem, o presidente do Breakthrough Institute Michael Shellemberger, e o professor Bana e Costa da London School of Economics, entre outros especialistas dos EUA, África do Sul, India, Suécia, Espanha, Portugal e Brasil.
Dois convidados especiais, o ex-ministro da Justiça de Israel, no governo Isaac Rabin, Yossi Beilin e o secretário geral da OPL, Yasser Abed Rabbo, aportaram à reunião seu depoimento sobre a Iniciativa de Genebra, dos quais foram ambos artífices, que consistiu em um abrangente e detalhado acordo de paz simulado entre Israel e os Palestinos, realizado em 2003.
Da cerimonia de abertura, presidida pelo governador Eduardo Campos, participaram também o senador Sérgio de Souza(PMDB) e os deputados federais Alfredo Sirkis(PV), presidente da sub-comissão Rio + 20 e coordenador da Rio/Clima, Zequinha Sarney(PV), presidente da Comissão de Meio Ambiente, Márcio Macedo(PT), presidente da Comissão de Mudanças Climáticas e Fernando Ferro(PT).
Os trabalhos de preparação foram coordenados pelo deputado Alfredo Sirkis e pelo facilitador sul-africano Mark Young. Foram acordadas a metodologia e a agenda da reunião de junho destinada a traçar as grandes linhas de um Acordo do Clima que atenda aos ditames da ciência para manter a concentração de GEE na atmosfera abaixo do limite de 450 ppm, mediante uma simulação de negociação entre os principais países emissores de gases de efeito estufa (GEE) e alguns dos mais vulneráveis.
A reunião do Rio/Clima, durante a Rio + 20, terá uma sessão de abertura, no dia 17, presidida por Maurice Strong --que dirigiu a Rio 92—com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-secretário executivo das negociações do Clima da ONU, Ivo de Boer, da secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres e de alguns ex-chefes de estado ainda a confirmar. Nessa noite de abertura haverá um concerto acústico com Gilberto Gil, Andy Summers & amigos.
Haverá 3 trilhas de negociação: mitigação, tratando a redução de GEE pelos vários países e segmentos da economia mundial; adaptação, buscando estratégias voltadas para águas e alimentos na previsão de uma aumento da temperatura de 4.5 graus até o final do século –a tendência atual- e de financiamento da transição para economias de baixo carbono.
Os grupos tratarão ainda de inovação tecnológica (energias limpas, novos produtos financeiros) e de uma nova métrica unificada na forma de medir os compromissos de redução de emissões dos diversos países. As conclusões serão debatidas e negociadas por dirigentes políticos dos 15 países de maior emissão e quatro dos mais vulneráveis que esboçarão, durante a Rio + 20, as grandes linhas de um Acordo do Clima capaz de atender à ciência.
Também serão elaborados pontos de recomendação para o "segmento de alto nível" (chefes de estado) da Rio + 20, atinentes a economia verde e governança e recomendações para a COP 18, em dezembro, no Qatar.
O Rio/Clima – Rio Climate Challenge deverá constituir um think tank (um centro de reflexão) sobre mudanças climáticas, baseado no Rio de Janeiro, e destinado a interagir tanto com o processo da ONU quanto com outras instâncias que venham a tratar do Clima, que no consenso já formulado em Recife, deveriam incluir o G 20 e o Conselho de Segurança da ONU.
“Demos um passo muito importante. Agora é certo que a questão do Clima será abordada em profundidade durante a Rio + 20 e teremos, ao final, um instrumento de sensibilização da opinião pública internacional à disposição dos governos, mostrando que ‘sim é possível’ um esforço planetário que consiga conter a concentração de GEE na atmosfera abaixo de 450 ppm com a possibilidade de limitar em 2 graus o aquecimento médio do planeta, nesse século” afirmou do coordenador do Rio/Clima, deputado Alfredo Sirkis.
Segundo ele: “se a curva atual de emissões de GEE não for revertida vamos até o final do século para um aquecimento de 4.5 graus. Pior: com os eventuais efeitos exponenciais, os feedbacks –liberação do metano do permafrost do Ártico e do fundo do mar, a perda da capacidade de absorção de carbono dos oceanos e das florestas tropicais, consequências do aquecimento já em curso— corremos o risco de que isso vá a 6 graus! O cenário de 4.5 já será um inferno na terra com colapso da agricultura em diversos países, fome, migrações descontroladas, guerras em torno da água e terras férteis, furacões, enchentes e aumento do nível dos oceanos. Um aumento de 6 graus não dá nem para pensar... Por isso temos que aproveitar a janela de oportunidade dos próximos 20 ou 30 anos, que os cientistas dizem existir, para prevenir essa catástrofe anunciada para a geração de nossos netos viabilizando uma economia de baixo carbono através de medidas duras de corte de emissões e precificação do carbono, um “Bretton Woods do baixo carbono” trazendo os trilhões de dólares do sistema financeiro especulativo para as energias limpas e uma revolução na inovação tecnológica ”
Para Sirkis “o Brasil está bem posicionado para liderar esse processo e o Rio precisa garantir seu lugar como a cidade de referencia de tudo isso, afinal, foi aqui que na Rio 92 foi negociada a Convenção do Clima”.
NO YOUTUBE: [(http://www.youtube.com/watch?v=3b2IOlVzyXo)(SIRKIS FALA DA RIO + 20)]