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Alfredo Sirkis - RJ
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"Dá vontade de entrar. Essa disputa vai ser boa"
A antecipação do debate em torno das eleições do próximo ano pode levar o deputado Alfredo Sirkis a lançar mão de sua experiência como ecologista para criar uma campanha em defesa dos anos ímpares.

Jornal do Brasil, Mauricio Athayde

 


 Bem humorado, Sirkis, afirma: "Antigamente tinha a campanha eleitoral dos anos pares e, pelo menos, havia os anos ímpares em que não se brigava, não havia intrigas por causa da questão eleitoral. Agora vamos começar a ver brigas por conta da questão eleitoral nos anos ímpares também?

Sirkis admite que pode vir a ser candidato ao Governo do Rio, mas ressalta que nesse momento sua preocupação é de coletar as assinaturas necessárias para criar a "Rede" partido que vem sendo estruturado por vários políticos e tem na ex-senadora Marina Silva sua estrela maior. Numa candidatura hipotética, Sirkis afirmou que manteria parte das políticas do atual Governo, sendo a sustentabilidade econômica e a segurança pública suas principais plataformas de campanha.

Jornal do Brasil - As eleições de 2014 já estão nas ruas e a ex-senadora Marina Silva certamente deverá se lançar candidata à Presidência da República. Haveria um candidato do futuro partido "Rede" (partido que está sendo estruturado pela ex-senadora ) ao Governo do Rio? Seria seu nome?

Alfredo Sirkis - Estamos muito claramente definidos, desde que começou esse processo da Rede que nessa primeira fase não trataremos de nada que não seja a coleta de assinaturas para a formação do Partido. Até questões como estruturação do Partido, como por exemplo, quem será o responsável pela organização do Partido em cada município, não está sendo definido nesse momento. Nenhuma discussão política de substância está sendo travada nesse momento, porque qualquer coisa desse tipo traria uma dispersão à prioridade absoluta que estamos dando agora à coleta dessas 560 mil assinaturas, para conseguir o registro do partido.

JB - Mas, dentro de um cenário político que começa a se definir, como você avalia essa disputa?

Sirkis - Eu tenho ouvido especulações envolvendo meu nome. O próprio Cesar Maia fez uma pesquisa e me incluiu. Há também algumas especulações que saíram na mídia, mas eu nem cheguei a pensar no assunto, quanto mais tomar uma decisão a respeito. Embora essa eleição esteja apaixonando as forças políticas, na minha opinião, está sendo colocada de forma prematura. Eu condeno essa antecipação das eleições de 2014, que começaram por pressão da presidente da República, em função de problemas dentro de seu próprio partido. Muita gente queria que o Lula fosse candidato e eles resolveram antecipar o processo eleitoral para criar o fato consumado da Dilma como candidata. Tomaram essa decisão e isso é muito negativo. Como ecologista, estou querendo desencadear um movimento para preservar os anos ímpares. Antigamente tinha a campanha eleitoral dos anos pares e, pelo menos, havia os anos ímpares em que não se brigava, não havia intrigas por causa da questão eleitoral. Agora vamos começar a ver brigas por conta da questão eleitoral nos anos ímpares também? Eu acho péssimo para o país.

JB - Essa eleição terá vários candidatos de peso, como Lindbergh, Garotinho, Miro Teixeira, Pezão, Cesar Maia, entre outros. Vai ser uma disputa bastante acirrada. Como você vê todos esses nomes disputando o Governo do Estado?

Sirkis - Eu acho que essas eleições, que não implicam em reeleição de governador ou de prefeito, são naturalmente mais disputadas. Existe um contraste entre essa eleição, que está se pré-figurando para governador, com aquela para prefeito do Rio, que foi Eduardo Paes versus o segundo time dos outros partidos. Só para lembrar: na eleição passada, o principal candidato do PSOL seria o Chico Alencar e ele não quis ser candidato; o do DEM não seria o Rodrigo Maia, seria o Cesar Maia, que também não quis ser candidato; o do PSDB seria talvez o Luis Paulo e não o Otávio Leite; no caso do PV seria o Fernando Gabeira ou eu, e não a Aspasia. Agora, essa eleição para governador, de fato, é um jogo mais pesado porque já estamos vendo aí Garotinho, ex-governador, Cesar Maia , ex-prefeito, o Lindbergh, senador, Miro Teixeira, que já foi candidato a governador e é um político veterano do Rio. É uma disputa interessante. Te confesso que dá vontade de entrar, mas eu acho que ainda é muito cedo para se pretender qualquer coisa a respeito. Até porque, não dá nem para saber se a gente vai conseguir se legalizar a tempo.

JB - Bom, já que você revelou que estaria com vontade de entrar nessa disputa, vamos colocar a questão no campo das hipóteses. Você entrando na eleição, seria mais um nome de peso. Como seria uma hipotética campanha sua?

Sirkis - Tenho trabalhado muito, todos esses anos, com o problema da segurança e, por outro lado, com a bandeira do desenvolvimento sustentável da economia do Rio. Então, essas seriam as duas principais linhas de trabalho.

JB - Com relação à segurança, há certas críticas ao que vem sendo feito pelo Governo, embora ninguém tire o mérito do que já foi realizado. Mas, muitos afirmam que é preciso prosseguir, fazer mais. Na sua opinião, como seria uma política de continuidade da segurança no Rio?

Sirkis - Havia um consenso entre as pessoas que discutem há tempos a questão da criminalidade e violência no Rio de Janeiro de que o grande problema era a falta de ocupação das favelas e que, naquele momento lá atrás, o principal aspecto da questão de segurança era o controle territorial da bandidagem sobre parcelas do território da cidade, notadamente as favelas. Então, as UPPs foram fruto desse, praticamente, consenso. Acho que as ocupações foram um sucesso, estão sendo um sucesso inegável, e uma das coisas que me preocupa nessa questão é a tentativa de alguns partidos de se envolver em política eleitoral o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Eu espero que ele resista a esse tipo de tentação, porque precisamos ter quadros que sejam formados com servidores do Estado. Vejo que o Beltrame precisaria ser protegido nesse papel de servidor do Estado. Temo que seja prejudicial ao sucesso alcançado pelas UPPs a tentativa de se deslocar o secretário para uma disputa de natureza eleitoreira. Sou favorável a que todos os candidatos assinassem um compromisso de manter as UPPs e, eventualmente, até um compromisso de manter o Beltrame no cargo, desde que ele se mantivesse totalmente alheio à política eleitoral e ficasse circunscrito ao papel dele, de servidor do Estado. Dito isso, acho que as UPPs são um componente importante de uma nova política de segurança. Eu tenho há muito tempo um projeto de reforma das polícias civil e militar que incluiria o fim da chamada escala de serviço e transformaria essas corporações em forças de dedicação exclusiva à segurança pública.

JB - Como seria na prática essa sua proposta?

Sirkis - Atualmente, o militar trabalha 12 horas e folga 48 e o policial civil, trabalha 24 horas e folga 72. Ou seja, na prática, o policial militar trabalha duas vezes por semana e o policial civil praticamente uma vez por semana. E o restante do tempo, que supostamente seria de folga, é utilizado numa segunda ocupação remunerada que muitas vezes é de segurança privada. A descontinuidade da rotina profissional dos policiais é uma razão importante da falta de eficiência das forças policiais. Acho que o policial deveria trabalhar todo o tempo, ainda que não tivesse um horário tradicional de oito horas por dia, mas que houvesse uma dedicação exclusiva à Polícia e quando não estivesse exercendo sua atividade, que estivesse exercendo aperfeiçoamento profissional. Agora, isso implica num aumento substancial do salário e por outro lado se articula com a PEC 300, que envolveria uma negociação com a esfera federal.

JB - E com relação à sustentabilidade. Qual seriam as ações que você poderia propor?

Sirkis - Acho que tem coisas que podem ser preservadas do atual governo e vejo a atuação do secretário Carlos Minc de forma positiva. Agora, acho que há uma concepção de natureza mais econômica, de tentar que o conjunto do Governo se volte para a questão da sustentabilidade e não apenas uma única Secretaria.

 


 
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