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Alfredo Sirkis - RJ
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Discutir a legalização
Os recentes ataques às UPPs, a consciência que o tráfico continua mesmo quando não há mais controle territorial coloca em foco, novamente, a grande discussão do melhor caminho para o problema das drogas

Alfredo Sirkis*

Minha total solidariedade com as famílias dos PMs Wagner Vieira da Cruz e Rodrigo se Souza Paes Lema, mortos à serviço da UPPs no Complexo do Alemão! Está em curso uma ofensiva da bandidagem para reinstituir a ditadura armada do tráfico sobre favelas do Rio. BOPE neles. Nenhuma condescendência com os bandidos!

Por outro lado apenas UPP não resolve, precisamos de dedicação exclusiva dos policias com o fim do duplo emprego (inclusive para aumentar o efetivo), salário condizente,policiamento a pé no asfalto em toda cidade e uma discussão inteligente, sem tabus sobre o problema de fundo: a economia das drogas produtora de morticínios e corrupção sistêmica.

É preciso ter coragem para discutir a legalização que irá destruir a base econômica-logística do tráfico e colocar a questão das drogas no âmbito da saúde pública que tão bem tem atacado o tabagísmo. Fique claro: não defendo uso de nenhuma droga, todas são nocivas em nível maior ou menor. Mas o morticínio e a entropia social provocada pela ilegalidade e pela gigantesca economia subterrânea que engendra é muito pior. No estado Rio morrem anualmente umas 2 mil pessoas pelo conflito armado associado direta ou indiretamente à droga e menos de cem por overdose. Ser "linha dura" contra a bandidagem é também destruir sua base econômica.

Sei que esse posicionamento "tira voto" mas paciência, é o que acho a muito tempo e quanto mais tempo passa mais me convenço disso.Sei que a posição que defendo é incompreendida hoje por mais de 80% da população. A maioria das pessoas temem que com a legalização controlada ou mesmo
descriminalização do consumo --para mim um paliativo meio incoerente-- as drogas tornar-se-iam mais acessíveis aos seus filhos. Não têm ideia do quanto é fácil conseguir drogas em qualquer cidade pequena, média ou grande do Brasil e do mundo. A eles sempre faço a mesma pergunta: “se por desgraça um jovem de sua família viesse a se tornar usuário de drogas, enquanto você não se consegue que largue o vício (ou o mau hábito) o que você prefere: 1) que compre–a de um farmacêutico que lhe orientará, admoestará, disponibilizará contatos para um tratamento e, no final das contas, venderá uma substância controlada ou 2) que compre droga “malhada” na mão do bandido armado sustentando o narcovarejo militarizado e os carteis das drogas, arriscando-se a ser preso, achacado e/ou vítima da violência para além dos malefícios da droga em si?

É a pergunta que não quer nem vai calar.


 
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