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Alfredo Sirkis - RJ
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Uma Bretton Woods do baixo carbono?
Mais até que as Conferências do Clima precedentes a COP 20, em Lima, foi marcada por discussões procedimentais protelatórias e regateios envolvendo mais questões políticas de prestígio nacional que avanços palpáveis na questão climática. Uma questão sempre subjacente mas nunca enfrentada é a do fi

Alfredo Sirkis


Em Lima

 As cifras (e cobranças) evocadas nesses debates nas COP sobre mitigação beiram o ridículo: giram em torno do Fundo Verde do Clima envolvendo alguns milhões aqui, algumas centenas lá, um meta dourada de 110 bi, em 2020, na qual ninguém de fato acredita. Uma estimativa realista de investimentos para a transição, se queremos de fato manter a temperatura abaixo dos 2 graus prevenindo consequências catastróficas, é de um trilhão de dólares por ano, globalmente, apenas no setor de energia! Observe-se, de passagem, que só em subsídios a combustíveis fósseis o mundo gasta anualmente mais de metade disso numa estimativa conservadora. Portanto a cifra nada tem de absurda, no entanto os governos, todos com déficits, endividamento e reservas limitadas, simplesmente não dispõem desses recursos. Mobiliza-los dependerá de taxar as emissões de carbono --substituindo outros tributos-- e/ou “precificar positivamente” a redução de carbono.

A primeira solução, taxar diretamente o carbono, é uma batalha a ser travada em cada país internamente pois os sistemas tributários são nacionais. Não é fácil como atesta o ocorrido recentemente na Austrália e na França que instituíram a taxa e depois recuaram sob cerrado fogo político. Um caminho de menor resistência é reconhecer a redução de carbono como uma unidade de valor conversível. Uma espécie de ‘padrão ouro’ dos tempos da crise climática global. O Brasil deu passo nesse sentido ao submeter à ONU, em Lima, proposta, concebida na sociedade civil e encaminhada ao governo pela nossa Comissão de Mista de Mudanças Climáticas, a qual declara o “valor social e econômico da redução de carbono” e prevê que ela venha a se tornar uma “unidade de valor financeiro conversível”.

Há uma base objetiva para tanto: hoje as perdas da economia global, num horizonte temporal dado, em consequência das mudanças climáticas, são perfeitamente quantificáveis. Isso já foi feito no famoso Relatório Stern. A partir daí pode-se estabelecer o valor de cada tonelada de emissões de CO2 equivalente suprimida. Esse reconhecimento dá ensejo a vários mecanismos possíveis de “moeda do clima” que inclusive podem dar direção às práticas de quantative easing (oferta de liquides) que bancos centrais como o Fed norte-americano vem realizado e que outros como o europeu deveriam fazer para enfrentar a recessão/deflação que assombra o continente.

Por outro lado, o sistema financeiro internacional armazena mais de duzentos trilhões de dólares. Existe no mundo um brutal excesso de liquidez que pouco irriga a economia produtiva global. Essa situação é propícia às “bolhas” e crises como a de 2008. O desafio é atrair uma parte que seja desse capitais para investimentos produtivos de baixo carbono capazes de garantir um novo ciclo de crescimento inovador e gerador de empregos. Os efeitos serão benéficos não apenas ao clima como à macroeconomia global na sua busca de um novo ciclo produtivo. O objetivo é estabelecer uma nova ordem financeira internacional para uma era de baixo carbono para a qual não há mais tempo a perder.




 
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