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Alfredo Sirkis - RJ
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Policiamento a pé e dedicação exclusiva
Não bastam as UPPs. E preciso dedicação exclusiva para melhorar a qualidade dos policiais e patrulhamento a pé para melhorar a qualidade do policiamento

Alfredo Sirkis

A implantação das UPP acabou com o controle territorial ostensivo do narcovarejo sobre algumas das favelas mais visíveis da Cidade. Representou um progresso lá onde o Rio de Janeiro se equiparava a um punhado de cidades arruinadas em estados falidos. Há muito tempo ressalvávamos a necessidade da ocupação permanente dessas comunidades. Houve problemas como o notório episódio do pedreiro Amarildo, na Rocinha, mas globalmente há um grande avanço. Por outro lado, temos essa recente percepção de deterioro nas condições de segurança em diversos bairros cariocas agora corroborada pelos indicadores oficiais e que enseja reações inaceitáveis como a ocorrida no Flamengo. Isso significa o “fracasso das UPP”? Penso que não. Elas lidam com um problema específico: o controle territorial das favelas pelo narcovarejo agora debelado, em parte delas. Continuamos uma cidade assolada por forte insegurança e violência no espaço urbano. Para proteger melhor as pessoas nas ruas e bairros é necessário um policiamento ostensivo, a pé, que ocupe o território com grande visibilidade e poder de dissuasão, apoiado por tecnologias de mapeamento geo-referenciado com imagem em tempo real. Bogotá é exemplo de uma grande cidade patrulhada essencialmente a pé. Seu território é coberto de forma ostensiva, eficiente por uma policia de efetivo menor que o nosso mas em regime de dedicação exclusiva.

Enquanto nosso padrão for o policiamento em viatura e a escala de 24h serviço por 48h de “folga”, com a profissão policial tornando-se de fato o “bico” para a maioria dos policias que possuem uma segunda atividade profissional --frequentemente melhor remunerada-- não teremos nem qualidade nem efetivo suficiente. Com recursos limitados é preciso estabelecer prioridade e concentrar esforços na prevenção daquela criminalidade violenta contra as pessoas. Prevenir assaltos, latrocínios, homicídios dolosos, estupro e outras violências sobretudo contra mulheres e crianças. Isso implica num foco que não é necessariamente o do atual sistema policial, judicial e prisional. Faltam vagas nos presídios, há milhares de bandidos violentos com ordem de prisão nas ruas. As prisões estão cheias de jovens encarcerados por delitos envolvendo drogas, sem prática de violência. Eles estão naquelas universidades do crime sendo formados para pratica-la no futuro. E há essa hipocrisia criminosa evolvendo menores que assaltam, matam e voltam às ruas.

A estratégia de “guerra às drogas” é um fardo gigantesco sobre a segurança pública. O “probicionismo” alimenta a logística bélica do crime e multiplica exponencialmente seu poder de corrupção. Desvia as energias do aparato de segurança e cria relações promíscuas que contribuem para corrompe-lo e criminaliza-lo. Vitórias contra as drogas podem ser obtidas no campo da saúde pública e da educação como atesta o sucesso eloquente do anti-tabagismo. O outro lado da moeda é a leniência com crimes bárbaros. O Brasil é o país do mundo onde um assassino brutal permanecerá menos tempo preso, beneficiado pela “progressão de pena”. Aqui convivem em estranho conúbio: um altíssimo nível de violência criminal (e policial), um discurso “liberal” nefelibata que trata o bandido como “vítima” da sociedade e uma visão “proibicionista” em delitos comportamentais. Os discursos tradicionais tanto da direita como da esquerda em relação à segurança estão falidos. Precisamos de inteligência e discernimento na definição das prioridades, linha dura contra a criminalidade armada e polícia com dedicação exclusiva, bem remunerada, bem equipada, priorizando a proteção da sociedade contra violência que a assola.


 
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