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Alfredo Sirkis - RJ
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"Tempestade prefeita" à vista?
O governo Dilma e o PT conseguiram suscitar um enorme movimento de oposição onde há de tudo. Perfila-se uma tempestade no horizonte.

Da Redação


 A manifestação em Copacabana: uma presença de cerca de `10 mil pessoas, maioria de classe média, na hora em que cheguei. Uma revolta generalizada contra o governo do PT, suas práticas e, em particular, o aparelhamento do estado brasileiro em prol do partido. Uma manifestação espontânea que desde o início anunciou não querer lideranças políticas.

Vivas só para os juízes Moro e Joaquim Barbosa. A extrema-direita, apesar de bastante minoritária era a única força organizada (confecção de faixas, movimentação em grupos), vi até o sigma integralista que deve ter ficado quase oitenta anos fora das ruas…

Tinha uns dez ou quinze cartazes pedido golpe militar. Mas a grande maioria das pessoas estava lá porque quer o fim das correntes práticas que o PT que, nos primórdios, jurava se opor a elas que acabou exacerbando-as, uma vez no poder.
Agora conseguiu ressuscitar a extrema-direita. Bem que avisei que iam acabar fazendo isso. Mergulham o país numa crise inédita e soltam o gênio da garrafa com uma senhora crise econômica no horizonte…

Em SP deu-se algo num patamar bem maior. Devem ter contribuído bastante aquelas pequenas manifestações fracamente ridículas, da sexta-feira, onde claramente tomaram as pessoas como idiotas ao pretenderem a "defesa da Petrobras". Como diz um velho ditado russo (dos tempos soviéticos) "tudo isso seria muito engraçado se não fosse tão triste".

Day after: vejo uma "tempestade perfeita" no horizonte do Brasil com enormes riscos. Impeachment ou forçar renúncia não são solução (vamos entregar pro Temer, Ed Cunha e Renan, para o Lula voltar depois como herói???). O golpe militar que alguns aí (poucos) reivindicam nos transformaria numa Síria. Ao contrario de 64 tem muito armamento espalhado pelo país.

Minha única e tênue esperança seria um Pacto de Governabilidade (tipo Moncloa, na Espanha, nos anos 70) que: 1 - retirasse de qualquer controle político partidário fisiológico as estatais e os ministérios, 2 - permitisse sua ocupação por um critério meritocrático, 3 – reduzisse fortemente o número de cargos comissionados de livre provimento, 4 - atacasse profundamente o cartorialismo e 5 - calibrasse um freio de arrumação da contas públicas inteligente e limitado no tempo com mecanismos de recuperação rápida e investimentos em áreas sustentáveis da economia.
A presidente e Lula teriam que sentar com os adversários que desprezam: o Aécio, o ex-presidente Fernando Henrique, o PSB e alguns caras da direita civilizada para negociar esse pacto, da mesma forma que o patronato e os sindicatos, o agrobusiness e os ambientalistas.
A chance disso acontecer é, infelizmente, bastante pequena mas vale a pena tentar porque o status quo ou as demais alternativas trarão enorme sofrimento para quase todos brasileiros.

A crise que se perfila pode ser mais profunda e mais longa do que as anteriores. Então, gente, muita calma nessa hora.


 
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