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Alfredo Sirkis - RJ
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Por uma polícia de dedicação exclusiva.
O nó górdio da crise das polícias --além do loteamento político-- é a escala de serviço de 24 horas de trabalho por 48 ou 72 de folga. Uma polícia eficiente não pode funcionar assim.

Alfredo Sirkis

Há dezenas de propostas que podem ser feitas para melhorar nossas polícias e torna-las mais capazes de enfrentar a insegurança que assola nossa Cidade. Sem dúvida a profissão policial precisa ser dignificada como melhor salário, treinamento, perspectivas de carreira e, naturalmente, uma deputação drástica da chamada “banda podre” que usa a farda ou a carteira para servir ao crime. A maioria, no entanto, é constituída de profissionais corretos que sonham poder exercer sua profissão em condições dignas e para dar mais segurança à população.

De todas as propostas que se pode formular existe uma que vai no “x” do problema: a criação de um regime de dedicação exclusiva, com o policial trabalhando todos os dias, sem as chamadas escalas de serviço de 24 horas por 48 ou 72, que quebram totalmente a rotina do trabalho policial, tornam-no descontínuo, espasmódico e estimulam não só o segundo emprego como tendem a fazer deste a atividade principal, a mais bem remunerada, a que drena mais energias, relegando a carreira policial à condição, de “bico”.

Se queremos uma polícia minimamente eficiente devemos entender que ela terá que ser bem paga a atrativa para segmentos profissionais da classe média que hoje não se interessam por ela. A dedicação exclusiva tem vantagens evidentes: automaticamente se triplica o número de policiais em serviço, no dia a dia, aumentando da forma mais racional o efetivo disponível. Diminui, drasticamente, o tempo disponível para atividades fora do controle da hierarquia, incluindo-se aí, as oportunidades para práticas incompatíveis com a profissão ou criminosas. Fica reforçada a coesão e o espírito de corpo que são a espinha dorsal de qualquer instituição eficiente.

Argumentam que a cultura da “escala de serviço” e o peso econômico do “segundo emprego” são tão grandes que os policiais não aceitariam esse regime. Conheço, no entanto, muitos que almejam uma carreira à qual possam prestar total dedicação. Poderia haver uma fase de transição durante a qual os dois regimes coexistiriam com possibilidade do policial escolher. Os que optassem pela dedicação exclusiva receberiam nítidas vantagens de promoção, salariais e outras como financiamento especial de casa própria, melhor aposentadoria, etc.. Isso permitiria uma transição sem traumas de um regime ao outro. Penso que é uma questão que merece ser debatida. Não só no Rio como nacionalmente.

* secretário de urbanismo do Rio de Janeiro.


 
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