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20/09/2007 - 20:29
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Engenhos publicitários e mobiliário urbano, estudo comparativo
Em 2001, encaminhei ao prefeito um estudo realizado pelo arquiteto Roberto Ainbinder, meu assessor especial no IPP, com uma proposta sobre a publicidade de rua que foi totalmente ignorada.

Roberto Ainbinder

Alfredo Sirkis
Tabuletas de Outdoor na zona sul.

No início da década de 60, diante das dificuldades das prefeituras em investir em mobiliários para as cidades, surge na França o primeiro Mobiliário Urbano “autofianciável”. A proposta, elaborada pelo setor privado, foi de acoplar ao mobiliário urbano uma publicidade de qualidade que financiasse a sua montagem e manutenção.

Ao longo destas quatro décadas, este conceito vem se aperfeiçoando em centenas de cidades espalhadas pela Europa, Ásia e América do Norte, onde o Mobiliário Urbano tornou-se parte integrante da identidade visual das cidades e do cotidiano de seus habitantes.

Aos poucos percebeu-se as vantagens deste tipo de veiculação de publicidade sobre os suportes tradicionais do tipo painéis e outdoors, que, além do apelo comercial, só serviam para promover a poluição visual. Estas cidades passaram a só admitir em sua área urbana a exibição de publicidade através de algum tipo de equipamento de utilidade pública.

O Rio de Janeiro é internacionalmente reconhecido pelas suas belezas naturais, suas praias, lagoas, áreas verdes e céu azul. Qualificar a exibição de publicidade na cidade, adequando-a ao meio ambiente urbano e associando-a a uma utilidade pública, não é só uma questão econômica, mas também de qualidade de vida e de sobrevivência estratégica de seus atrativos turísticos.


A recente licitação internacional de mobiliário urbano realizada pela prefeitura do Rio de Janeiro, aponta para a recuperação do atraso em relação as concepções mais inteligentes e de vanguarda nesta área. Entretanto, paralelamente a instalação destes mobiliários, observa-se uma licenciosidade jamais vistas em relação aos engenhos publicitários na cidade, sobretudo através da proliferação de outdoors, back-lights, front-lights e uso de empenas cegas para exibição de publicidade. Nunca a cidade esteve tão poluída visualmente, agredindo o seu meio ambiente, sua natureza, sua população e o que há de mais precioso na cidade: a riqueza de sua paisagem.


O estudo comparativo a seguir, evidencia a disparidade da relação custo-benefício representada pela exibição da publicidade através dos engenhos publicitários em relação aos mobiliários urbanos.
ENGENHOS PUBLICITÁRIOS


TIPO DO ENGENHO QTDE. M2/UNID.
PUBLIC. M2 TOTAL TAXA PUBL. RECEITA ANUAL (R$)
• Tabuletas 2200 30 m2 66.000 16 UNIF/ano 880.000,00
• Painéis 220 (*) 15/18 m2 3.630 1 UNIF/m2/ano 363.000,00
• Painéis em empenas 70 30/50 m2 2.800 4 UNIF/m2/ano 1.120.000,00
TOTAIS 74.430 2.363.000,00
(*) – em área particular

RECEITA MÉDIA POR M2 DE ENGENHO PUBLICITÁRIO R$ 31,74


MOBILIÁRIO URBANO COM PUBLICIDADE

TIPO DE MOBILIÁRIO QTDE.
(M2) M2 TOTAL de PUBLICIDADE TAXA PUBL. RECEITA
ANUAL (R$)
• Abrigo de Ônibus 2000 8000 1 UNIF/ANO 50.000,00
• Totem de Informação 500 1000 24 UNIF/ANO 300.000,00
• Relógio Eletrônico 400 1600 6 UNIF/ANO 60.000,00
• Sanitários Automáticos 50 200 * *
• Colunas Multiuso 25 200 * *

CONTRAPARTIDA FINANCEIRA / ANO
ATÉ O 5º ANO
4.633.000,00

TOTAIS ATÉ O 5º ANO 11000 5.043.000,00


CONTRAPARTIDA FINANCEIRA / ANO
DO 6º AO 20º ANO
(40% da receita de publicidade)
14.500.000,00

TOTAIS DO 5º AO 20º ANO 11000 14.910.000,00

CONTRAPARTIDA DE MOBILIÁRIO URBANO SEM PUBLICIDADE

TIPO DE MOBILIÁRIO QTDE.
• Sanitários automáticos 50
• Abrigo sem publicidade 100
• Placas Direcionais 500
• Totem de Bens Culturais 200
• Bancas de Jornais 150
• Cabine de Segurança 20


RECEITA MÉDIA POR M2 DE PUBLICIDADE EM MOB. URBANO (até o 5º ano) R$ 458,45(*)

RECEITA MÉDIA POR M2 DE PUBLICIDADE EM MOB. URBANO (do 6º/20º ano) R$ 1.355,45(*)
( * ) - sem considerar a manutenção, o valor do equipamento, e a sua utilidade pública.

Além da contrapartida financeira estabelecida na licitação até o 5º ano de contrato de R$ 4.633.000,00/ano, as concessionárias se obrigam a repassar à prefeitura a partir do 6º ano até o final do contrato (20º ano), aproximadamente 38% da receita bruta da publicidade, o que perfaz um total estimado de R$ 14.500.000,00/ano.

Deve-se agregar a esta receita, a desoneração dos custos de MANUTENÇÃO durante todo o período do contrato (20 anos), o que representa uma economia de aproximadamente R$ 10.000.000,00/ano para todo o conjunto de mobiliário, inclusive as contrapartidas sem publicidade e do custo de confecção e instalação dos equipamentos no valor de R$ 65.000.000,00, o que representa uma economia adicional de aproximadamente R$ 13.800.000,00/ano.

Outro aspecto relevante a se destacar é que, ao se proliferar engenhos publicitários pela cidade, ou seja, metros quadrados de publicidade, a tendência é a baixa do valor comercial da publicidade, desequilibrando assim a equação econômica do Mobiliário Urbano, colocando em risco a saúde financeira do contrato.


CONCLUSÃO :

Diante do quadro exposto, fica evidente as vantagens, sob todos os aspectos (estético, utilitário, financeiro) dos Mobiliários Urbanos com publicidade sobre os Engenhos Publicitários.

Nesse sentido, proponho :

• A REDUÇÃO DRÁSTICA DOS OUTDOORS E PAINÉIS EM EMPENAS CEGAS ALÉM DA RETIRADA TOTAL DOS DEMAIS ENGENHOS PUBLICITÁRIOS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.

• OS PONTOS ONDE SERIAM PERMITIDAS A INSTALAÇÃO DE OUTDOORS E PAINÉIS EM EMPENAS SERIAM DEFINIDOS ATRAVÉS DE UM PLANO DIRETOR DE PUBLICIDADE ADEQUADO-OS A PAISAGEM DA CIDADE. A CONCESSÃO DESTES ENGENHOS SE DARIA ATRAVÉS DE LICITAÇÃO COM CONTRAPARTIDAS A DEFINIR.



RA
em 15/01/2001


 
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