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Alfredo Sirkis - RJ
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O futuro do trabalho é verde
Políticos alegam que é possível vencer a recessão e salvar o planeta com empregos do “colarinho verde”, como engenheiros e pesquisadores de novas energias e advogados de causas ambientais

Quem disse que dois problemas não podem virar uma solução? De um lado, temos o pior clima econômico da história; de outro, temos uma crise ambiental sem precedentes. O que acontece se misturarmos essas duas situações? O surgimento de empregos de “colarinho verde”.

Políticos de toda a parte encontram-se em verdadeiro embate para promover essa inovação trazida pela modernidade. De acordo com eles, podemos reduzir os efeitos das ameaças econômica e ambiental por meio da criação de um verdadeiro exército de trabalhadores de “colarinho verde”, encarregados da árdua tarefa de “descarbornizar” nossa economia.

No mês passado, o secretário de negócios do Reino Unido, Peter Mandelson, estimou que 800 mil britânicos já estão empregados no que chama de “setor verde”, número que ele acredita ter grandes chances de aumentar em um futuro próximo. Poucos dias depois da estimativa ter sido realizada, David Cameron anunciou os planos do Partido Conservador britânico para construir uma “malha inteligente” e mais eficiente de distribuição de energia elétrica na Grã-Bretanha.

“Esta é uma das maneiras que encontramos para sair mais rápidamente da recessão. É assim que se criam empregos verdes, que se aceleram os investimentos em medidores inteligentes, fontes alternativas de energia e carros elétricos”, disse Cameron. No outro lado do Atlântico, o presidente norte-americano Barack Obama planeja criar 5 milhões de empregos de “colarinho verde” por meio de um plano de estímulo ecológico.

Marrom-sujeira

Mas o que exatamente é um emprego de “colarinho verde”? O que as pessoas devem fazer para conseguir um durante este período de aumento nas taxas de desemprego? O termo está sendo utilizado para descrever uma enorme variedade de postos de trabalho, alguns dos quais seriam mais bem descritos como sendo “marrom-sujeira” do que “verde radiante”, ilustrando atividades que vão deste o manejo de esterco até a pesquisa científica do uso energético do hidrogênio.

“É um mercado muito grande”, avalia Andy Cartland, diretor da Acre Resources, uma agência de recrutamento de Londres especializada em “empregos verdes” (ecológicos). “De forma geral, colarinho verde seria um tipo de emprego que almeja ter um impacto positivo sobre o meio ambiente ou a sociedade. Muitos desses empregos se concentram em reduzir o impacto ambiental de um projeto energético ou de construção civil, como, por exemplo, minimizar os danos causados por um novo estacionamento em uma determinada área. Não estamos mais falando do trabalho de ecologistas procurando répteis em um lago, como costumávamos nos referir a esses empregos há alguns anos.”

Radicais, não

Cartland diz que a agência procura vários tipos de profissionais, entre eles engenheiros de energia eólica, pesquisadores de biocombustíveis, advogados especializados em mudanças climáticas e ecologistas marinhos. Esses profissionais, de acordo com ele, precisam de grande experiência, treinamentos e qualificações em suas áreas.

Entretanto, Cartland adverte que os recém-formados não devem encarar estas oportunidades de emprego como uma corrida ao ouro. “Representamos empregadores que exigem experiência. Muitos recém-formados chegam hoje ao mercado com um diploma de gestão ambiental, ou um mestrado em mudanças climáticas, mas ter experiência de trabalho na área é vital. Além disto, existe uma crença de que os empregadores não querem ninguém ecológico demais. Um fundamentalista do Greenpeace dificilmente terá chances em uma grande empresa.”

Saindo um pouco da esfera de empregos de altos salários, que exigem altíssima qualificação, o termo colarinho verde normalmente descreve empregos em setores de otimização de energia ou de tecnologia “limpa” – tarefas como a instalação de turbinas eólicas, painéis solares ou o isolamento térmico de residências. Steven Proudfoot, proprietário da empresa Asset Skills, especializada em aconselhar o governo na criação de requisitos de treinamento em setores como a construção civil, diz que uma das áreas que terá maior expansão será a de gestão de ambientes internos e propriedades.

“É um dos setores com o crescimento mais rápido e maior resistência à recessão econômica na Grã-Bretanha. Edifícios precisam de manutenção, serviços e administração – serviço de copa, limpeza das janelas, jardinagem, ar-condicionado, etc. Uma legislação ambiental mais severa e a crise econômica fazem com que todos se esforcem mais para economizar energia e controlar desperdícios, e, para isto, nada melhor do que uma equipe treinada e preparada para ajudar as empresas a conseguirem isto”, diz Proudfoot.

Setor de imóveis terá papel relevante

Um dos setores-chave para a criação de empregos “verdes” é o mercado de residências – ironicamente, o mesmo que deu origem à crise atual. Há dois anos, o britânico Mark Lamble aposentou-se do exército após ter servido por 24 anos e ter atingido o posto de major. Usando o dinheiro da aposentadoria, treinou um assessor de energia elétrica residencial e trabalha com a emissão de certificados de performance energética residencial, exigidos pela legislação britânica, para proprietários que desejem vender suas casas. “Não sou um ecologista. Eu apenas avalio as residências e verifico os aquecedores de água e o isolamento térmico das paredes através de um teste de perda de calor. Quanto maior a nota no teste, menor a emissão de CO2 [gás carbônico] produzida pela residência”, diz Lamble.

Segundo ele, a desaceleração nas vendas de imóveis devido à crise econômica prejudicou seus negócios, mas a legislação energética britânica, implantada em outubro de 2008, foi a “salvação da lavoura”. “Não está sendo fácil. Eu estou longe de ganhar a mesma coisa que ganhava no exército, mas sei que este setor está em pleno crescimento e que este é o caminho a seguir”, prevê.

A observação de Lamble é sabia. O governo britânico deve anunciar em breve que uma em quatro casas em todo o Reino Unido terá de receber uma “cirurgia plástica ecológica” para diminuir as emissões de gases estufa e reduzir o consumo de combustíveis fósseis. O governo espera que a medida acabe por despertar uma enorme demanda por mão-de-obra qualificada para reformas, gerando milhares de novos empregos.

Apesar de a idéia parecer tentadora, vale a pena lembrar que agências de recursos humanos já vêm alertando os profissionais a terem currículos mais “verdes”. Uma pesquisa ano passado feita pelo site de empregos fish4jobs.co.uk descobriu que um terço dos empregadores recusam um candidato com credenciais ecológicas pobres.


 
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