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Blog de Alfredo Sirkis - RJ 16/06/2009 - 11:04 |
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Apresentando as ciclovias cariocas.
Sirkis expõe a experiência do Rio no painel do ICLEI sobre mobilidade urbana.
Verdepress- Edmonton, Canadá.
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| O Rio é a cidade brasileira com maior extensão de ciclovias. |
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O vereador e ex-secretário de urbanismo de de meio ambiente do Rio de Janeiro, Alfredo Sirkis, apresentou a experiência carioca de ciclovias no workshop dedicado a mobilidade no Congresso 2009 do Iclei, o Conselho Internacional de Iniciativas Ambientais Locais, em Edmonton, Canadá.
Sirkis historiou a implantação do sistema cicloviário carioca que se iniciou, em 1991, quando ele, como vereador no seu primeiro mandato, conseguiu persuadir o então prefeito Marcello Alencar a incluir ciclovias no projeto de reurbanização Rio Orla, do Leme ao Recreio, e depois, em 1992, quando incluiu, na Lei do Plano Diretor, de 92, o reconhecimento explícito das ciclovias como componentes do sistema de transporte nas 5 áreas de planejamento do Rio.
A partir de 93, como secretário de meio ambiente, Sirkis implantou entre outras as ciclovias Mané Garrincha(Copacabana-Aterro), Rubro Negra(Lagoa-Puc, Leblon-Gávea) e João Saldanha(Ipanema-Copacabana), os primeiros bicicletários e desenvolveu numerosas campanhas educativas. Uma pesquisa realizada na época revelou que, apesar das críticas na imprensa, 88% dos cariocas apoiavam a iniciativa. Sirkis presta consultoria para a construção de sistemas cicloviários em outras cidades brasileiras. Atualmente ele dá apoio às prefeituras de Itu(SP), São Gonçalo(RJ) e Natal(RN) e vem dando palestras internacionais sobre o tema em Congressos e simpósios de organizações internacionais de cidades como o ICLEI e o Metrópolis.
Em sua palestra Sirkis ressaltou alguns ensinamentos básicos resultantes de quase 20 anos de experiência com o tema São os seus "Sete Mandamentos Cicloviários":
1- Sempre tome partido dos projetos de reurbanização ou construção de novas vias que já serão feitos de quaquer maneira neles incluindo a infra-estrutura cicloviária. Se não o fizer vai passar muitos anos sem poder fazê-lo pois tão cedo a prefeitura não poderá quebrar tudo para fazer obras no mesmo local. 'Tomar carona' em todas obras viárias ou de urbanização que já vão ser feitas fica mais barato e é essencial.
2 - Nunca deixe o projeto cicloviário a cargo de engenheiros e arquitetos não ciclistas. Projetos cicloviários parecem simples mas são complexos e os erros mais idiotas em geral são cometidos por técnicos que não andam de bicicleta. Essa é a principal razão de certas ciclovias não "pegarem". (no Rio, aquele da rua General Polidoro, em Botafogo, ou da avenida Santa Cruz, em Senador Camará, por exemplo)
3 - O sistema cicloviário precisa ser constantemente ampliado e aperfeiçoado em particular com pequenas intervenções: uma rampa de acesso, aqui, uma placa de sinalização, lá, uma defensa de proteção, acolá. O sistema cicloviário é como a própria bicicleta: se você não pedala, cai!
4 - Conservação é crucial. Mantenha sempre um bom e flexivel contrato de conserva. E atenção particular com a drenagem: o que mais desgasta ciclovias é a falta de escoamento das águas pluviais.
5 - Na hora de começar o faça sempre pelo ponto de maior visibilidade da cidade. O uso da bicicleta é fundamentalmente um fato cultural e não adianta começar por uma área pouco visível mesmo que apresente utilização intensiva da bicicleta. Vamos chegar lá mais tarde. O começo tem que impactar a cidade como um todo. Não estude em demasia. Há cidades que passam mais de dez anos levantando fluxos de bicicletas. E nada...
6 - As Ciclovias entendidas com espaço exclusivo e fisicamente protegido por uma mureta, defensa ou meio-fio, são, apenas, um tipo de tratamento do sistema cicloviário. Há outros: as ciclofaixas, marcadas por pintura e/ou sonorizadores (muito usadas na Europa, onde o tráfego é mais civilizado), as faixas compartilhadas, onde o pedestre pode circular e tem prioridade e as ciclorotas, ruas com sinalização horizontal(no asfalto) ou vertical(placas) e boa pavimentação, amigáveis ao ciclista mas sem a reserva de um espaço específico. O sistema cicloviário é composto desses diferentes tratamentos mais seus equipamentos de apoio: bicicletários, vestiários, pontos de reparo e manutenção, pontos de locação e campanhas educativas.
7 - Na hora de contabilizar as viagens de bicicleta para poder compor o perfil de uso dos vários modais de transporte em uma cidade e não aceite que os técnicos rodoviaristas contabilizem como deslocamentos de transporte em bicicleta apenas os percursos residência-local de trabalho. Na verdade representa uso de transporte qualquer deslocamento em bicicleta que substitua o uso do automóvel ou do transporte coletivo. Assim, se pego minha bicicleta para ir à praia, ao cinema ou ao comércio e deixo meu carro na garagem isso é transporte e não "lazer". |