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Alfredo Sirkis - RJ
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Sirkis fala sobre o Porto Maravilha.
Entrevista para Sasha Leite do Instituto Cultural Cidade Viva, sobre a revitalização da área portuária do Rio, no passado, presente e futuro.

Apresentando o Porto do Rio numa conferência do Metropolis, em Istambul.

Sasha Leite: Quando você ocupou o cargo de Secretário Municipal de Urbanismo e de Presidente do IPP – Instituto Pereira Passos, quantos projetos você elaborou para a Zona Portuária do Rio de Janeiro e quais eram as principais características desses projetos?

Alfredo Sirkis: Foram cerca de dezoito inclusive todos os que estão agora previstos para serem executados na primeira fase do Porto Maravilha. Os principais são: a reurbanização da rua Sacadura Cabral, da Praça Mauá, da primeira parte da Av Rodrigues Alves e do cais até o Armazém 6, do Morro da Conceição. A reconversão do palacete D. João VI. Há um projeto novo que é a transformação do Pier Mauá em espaço público que espero não impeça um futuro projeto de um marco arquitetônico com um equipamento cultural.

Aparentemente ficou de fora, agora, a ciclovia MAM-Mauá, mas estou tratando disso com o prefeito. Os projetos de infra-estrutura ficaram para a segunda fase que já seria financiada através da Operação Urbana Consorciada(OUC). São: a nova avenida do Binário, a nova ligação Porto-Centro pelo túnel da Providência e algumas outras obras de reubanização.

A novidade que não constava do meu projeto é a demolição do elevado e a construção do túnel que de toda maneira ficará para a segunda fase e só será feito, de fato, se a OUC com CEPACs der um resultado muito bom pois nenhuma prefeitura vai colocar um bilhão de reais --isso por baixo!-- nessa obra. Em Boston um negócio parecido demorou 20 anos... Por isso tenho dúvidas que aconteça de fato embora eu não seja contra.

A solução que propus e ainda estou defendendo é o tratamento paisagístico do elevado, pelo menos no trecho entre a Praça Mauá e a Barão de Teffé. Dá uns R$ 20 milhões. Fizemos um concurso público, ganhou um projeto interessante, ficaria um brinco. No futuro se der de fato para demolir aquele trambolho, melhor. Mas o mergulhão (na verdade um túnel bastante profundo) é obra prá uns cinco anos, no mínimo.

Por outro lado, do [(http://www2.sirkis.com.br/noticia.kmf?noticia=7584186&canal=257&total=125&indice=40)(Plano Porto do Rio)] que deixamos no IPP faziam parte várias reconversões de prédios públicos notáveis (Imprensa Nacional A Noite, Metropol) que ainda não foram equacionadas e havia um componente de injeção de crédito na economia local que também não foi ainda equacionado e é muito importante.

No geral, penso que está indo bem, sobretudo se compararmos com o que aconteceu antes...

SL Por que os seus projetos não foram realizados?

AS: Por decisão explícita do ex-prefeito César Maia. Quando o projeto do museu Guggenheim, no Pier Mauá, empacou na justiça ele me chamou e disse: " Sirkis não vou fazer mais porra nenhuma na área portuária". E mandou, apesar de meus veementes protestos, suspender inclusive licitações em curso como a reurbanização da rua Sacadura Cabral. Como em várias outras ocasiões eu tinha conseguido fazê-lo mudar de ideia, passado um tempo, pensei que ia conseguir, de novo. Mas ele foi irredutível.

Só deu prá salvar a Cidade do Samba que o interessava pelo vínculo com o Carnaval e o peso político das escolas do grupo principal e a Vila Olimpica da Gamboa que integrava o programa de vilas olímpicas que ele valorizava.

Foi uma decisão muito infeliz sobretudo considerando que aqueles recursos acabaram na Cidade da Música, aliás todo o projeto de revitalização da área portuária poderia ter sido feito por cem milhões a menos que aquele elefante branco, inútil.

SL: Qual desses seus projetos seria importante realizar?

Disse para o prefeito Edurado Paes, que me convidou logo depois das eleições para lhe apresentar o projeto --foi um gesto correto que respondi de forma positiva e superamos ali quaisquer arrufos de campanha-- que o fundamental era começar logo porque ninguém mais acreditava depois de tantas promessas e expectativas. Penso que é preciso começar pelo perímetro da Praça Mauá como está previsto no atual cronograma.

SL:Como o senhor avalia o projeto de revitalização da Zona Portuária que foi recentemente iniciado pela Prefeitura do Rio, com apoio do Governo do Estado e do Governo Federal?

AS: É basicamente o programa que desenvolvi, durante 5 anos com a equipe do Augusto Ivan e depois do Antonio Correia, no IPP. É a primeira fase. A segunda é a que seria financiada pela Operação Urbana Consorciada(OUC) que ainda precisa ser aprovada pela Câmara de Vereadores e que, como expliquei, contem alguns novos ingredientes, que, no geral, são positivos embora não se saiba ainda se são de fato exequíveis.

SL: Quais as ações dos poderes públicos que deveriam ser prioritárias nesse processo de revitalização da Zona Portuária?

AS: No que diz respeito à Prefeitura, essa primeira fase e o projeto de Lei da OUC. No que diz respeito ao governo do estado, completar as obras de rede de esgoto da CEDAE e disponibilizar o terreno do gasometro e o prédio da Metropol. Por parte do governo federal, juntar todos seu terrenos em um único órgão, desonerá-los das ações de penhora que incidem sobre quase todos eles, junto ao Judiciário, liberar os prédios da Imprensa Nacional (Policia Federal) e de A Noite (INPI) para a reconversão e abrir linhas de crédito especiais para pessoas físicas e empresas da área portuária. O Ministério das Cidades precisa reverter seu apoio, idiota, a ocupações de prédios públicos como o da Av Venezuela e reassentar seus ocupantes de forma correta na área portuária mas não em um local destinado a ser um cluster de tecnologia.

A prefeitura e o governo federal precisam entender que temos que atrair em primeiro lugar residência de classe média para a região e depois projetos habitacionais de baixa renda. Se invertermos o processo --e temo que isso esteja acontecendo, na prática-- a classe média não virá e a revitalização ficará ameaçada.

Sobrevoando a área portuária.
No cais.













Nas obras da Cidade do Samba.
Em Puerto Madero, Buenos Aires.












Protestando contra o abandono do Palacete D.João VI.
No Porto de Sydney.




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