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Alfredo Sirkis - RJ
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Penso subúrbio carioca, um brain storming para a AP 3.
Exercitando a imaginação arquitetônica e urbanística sobre nossos bons e velhos subúrbios da Central dos Brasil.

Alfredo Sirkis

Brain storming cuja tradução literal dessa língua rica em opções que é o inglês são exercícios de cérebros em tempestade criativa. To storm também pode significarinvadir,ao tomar de assalto. No caso, certamente significaria deixar a mente fluir livre e tempestuosamente com suas chuvas e trovoadas de idéias. Foi o que Ana Borelli propiciou aos arquitetos do Rio quando do Penso Cidade, há sete anos atrás, no Centro de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e agora repete especificamente para os subúrbios da zona Norte, em jargão da Prefeitura, nossa boa e velha AP 3. Nove dos melhores escritórios de arquitetura do Rio foram convidados para elaborar esboços de projetos, intervenções e provocações urbanísticas, arquitetônicas e artísticas aplicadas ao território suburbano. O resultado foi um conjunto de idéias de variada aplicabilidade –alguns são eventualmente viáveis-- mas cujo resultado coletivo é mais o de sacudir a nossa imaginação e chacoalhar idéias para uma revolução urbanística na área mais abandonada e necessitada de renovação da nossa cidade.

Estruturados à volta da linha férrea da antiga Central do Brasil nossos “subúrbios da central” contêm o melhor da índole carioca nos seus áureos tempos: a cordialidade, o sentido de pertencimento a uma vizinhança, o samba, a festa de Cosme e Damião, as grandes escolas do grupo 1, um jeito todo nosso de ser. De uns tristes anos para cá, no que pesem alguns progressos como o Norte Shopping, o Nova América, o estádio do Engenhão e a Área de Especial Interesse Urbanístico que elaboramos e que propiciou um boom imobiliário no Grande Méier, muito do dia a dia da região se confunde com o noticiário de medo: “bondes” do tráfico pelas vias expressas e ruas desertas à noite, guerras de facções do tráfico e o fenômeno reverso do Bairro-favela: a favelização de bairros tradicionais da cidade formal pela metástase do Complexo do Alemão. Sou daqueles que pensam que deveríamos ter investido menos na Barra da Tijuca e muito mais na AP 3 e que os subúrbios da Central formam um tecido urbano altamente propenso a oferecer boa qualidade de vida com um mínimo de recursos destinados a sua infra-estrutura urbana. Agora, com Rio 2016, quem sabe?

Se formos por esse caminho, se quisermos de novo valorizar e qualificar os “subúrbios da Central” então o livro e o website Penso Subúrbio Carioca são provocadores indispensáveis pois lá encontramos num design de extremo bom gosto o melhor do brain storming de alguns dos nossos mais destacados escritórios de arquitetura. A Sutura Urbana, da Arquitraço reflete sorte as passarelas, tão freqüentes e tão problemáticas para o uso. O Campo Aud relembra as casas-balão da rua Calama, um experimento bizarro de casas com formato de iglu, feitas nos anos 50, em Guadalupe. Flávio Ferreira Arquitetura nos remete a quatro ilhas de “não-inferno” num tecido urbano sofrido. Humberto Kzure ao mosaico da Pavuna com suas redes de “fluxos fixos”.

A Oficina de Arquitetos se debruça sobre as dimensões do tempo, em Quintino que “não pode ser medido por relógios convencionais”. O Studio XV de Arquitetura propõe A Cidade plug-in com o aproveitamento do espaço aéreo sobre a ferrovia com estruturas modulares tipo Lego. O Movle propõe A Nova Paisagem” (meu favorito): landmarks (ícones urbanos) de um radical modernismo e espalhafatosa monumentalidade pairando sobre diferentes paisagens suburbanas. Penso que alguma delas ainda vai virar realidade –se depender de mim, faço-- no horizonte da AP3.

Ainda temos mais: Anelídeo da Memória, de Luis Felipe Machado, com um colar de favas elípticas pairando sobre São Cristovão e a Archi 5 que apresenta Às Margens da Via ou a Rebelião da Arquitetura um esboço urbanístico do que seria um novo tecido urbano, integrados entre vias que contribuíram para desintegrar vários bairros suburbanos: a Linha Amarela e a via férrea estendendo-se até a Estrada do Timbó.

No curso de sua gestão no CAU de 2001 a 2007, Ana Borelli organizou além do Penso Cidade diversas exposições de arquitetos e urbanistas cariocas e brasileiros que tiveram esse efeito brain storming além de memoráveis exposições de arquitetos internacionais de primeira linha como [(http://www2.sirkis.com.br/noticia.kmf?noticia=3779133&canal=264=38&indice=20)(Jean Nouvel)], Dominique Perrault, ou Legorreta. Esse espaço praticamente deixou de existir e ela agora desenvolve o mesmo trabalho fora das limitações do serviço público na internet e na nossa nova editora, a TIX, da qual o Penso Subúrbio Carioca é a primeira obra publicada. O website do [(http://www.penso.art.br/abertura/index.htm)(Projeto Penso)] onde está inserido o [(http://www.penso.art.br/penso2/index.htm)(Penso Subúrbio Carioca)] é verdadeiramente fantástico, vale a pena visitar. O Penso Subúrbio Carioca apresenta, de lambuja, trechos de memoráveis filmes sobre os bairros ao longo da Central do Brasil: Rio Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos, A Falecida de Leon Hirzman, Praça Saes Pena de Vinicius Reis e Ibraim do Subúrbio de Astolfo Araujo e Cécil Thiré, Vestido de Noiva de Joffre Rodrigues Maré Nossa História de Amor de Lúcia Murat e vários outros.

Nenhuma das idéias do Penso Subúrbio Carioca tem uma aplicabilidade ipsis literis, nem é esse seu objetivo. Desconfio, no entanto, que algumas servirão de ponto de partida ou inspiração para futuros projetos que, eventualmente, acabarão acontecendo no tempo exasperantemente lento da forja de cidades. O Penso Subúrbio Carioca é uma ode da era digital aos mais tradicionais bairros cariocas cujo espaço urbano a cidade precisa urgentemente recuperar e requalificar com a sofreguidão de quem tenta salvar a própria alma.

Movle: Nova Paisagem.
Movle: Nova Paisagem.












Oficina de Arquitetos: Quintino Tempo e Ritmo
Archi5: As Margens da Via ou Rebelião da Arquitetura












Movle: Nova Paisagem.


 
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