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Blog de Alfredo Sirkis - RJ Blog de Alfredo Sirkis - RJ
05/12/2009 - 18:34
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Sirkis no Conselho Nacional dos Verdes Franceses.
Um domingo de mobilização em Paris. Manifestação do Tic-Tac, em Les Halles e Assembléia do Conselho Nacional dos Verdes. Sirkis cobriu o evento e discursou para os verdes franceses.

Verdepress-RJ

Sirkis com Denis Baupin e Cecile Duflot.

Video do barulhaço do Tic-Tac em Paris: VEJA AQUI

Na contagem regressiva para a Conferência de Copenhagen, o chuvoso domingo em Paris foi marcado por dois eventos: o ato público do Tic-Tac, realizado em todas as cidades francesas simultaneamente, ao meio dia, com um “barulhaço”, e a tarde reunião do Conselho Nacional dos verdes franceses em Belville.

Sirkis compareceu ao ato do Tic-Tac, com a dirigente dos verdes franceses Cecile Duflot e, com o secretário de transportes de Paris, Denis Baupin. À tarde, o presidente do PV do Rio de Janeiro discursou para os delegados do Conselho, descrevendo a situação dos verdes no Brasil, a pré-campanha de Marina Silva e a posição brasileira em relação à Conferência de Copenhagen.


Cecile Duflot, a porta voz dos verdes.
Assistência do ato do Tic Tac em Les Halles











A turma do barulhaço
Calor, apesar do frio...


















Eis a tradução da íntegra de seu discurso feito em francês:

Sirkis discursando no Conselho Nacional dos Verdes franceses.
Caros verdes, há onze anos tive a oportunidade de falar perante esse Conselho. Foi em novembro de 1998, eu acabava de encerrar uma campanha como candidato à presidência pelos verdes com menos de 1%. Me lembro da cara triste de Dominique Voinet ao ouvir isso. E me lembro de ter tranqüilizado vocês dizendo: “não se assustem, não é contagioso” (risos e aplausos).

Bem, onze anos mais tarde posso dizer que nós verdes brasileiros fizemos nosso caminho e hoje somos um partido de 15 deputados no parlamento, centenas de experiências de gestão local com projetos bem sucedidos como os mutirões de reflorestamento, em favelas, as ciclovias, a revitalização de área degradadas e uma influência decisiva para que as idéias ambientalistas tivessem se tornado fortes na sociedade brasileira. Temos uma candidata à presidência da república, a senadora Marina Silva que nesse momento está num patamar de 10% nas pesquisas. A vitória é difícil mas não impossível e, certamente, a influência dos verdes será decisiva, no segundo turno.

Lançamos há dois anos a campanha Brasil no Clima e nossa ação, sobretudo o lançamento da pré-candidatura de Marina foram decisivos em obrigar o governo brasileiro a aceitar metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Nossa posição era que o Brasil deveria se comprometer em reduzia suas emissões, até 2020, em metade da média dos países do Anexo 1 do Protocolo de Kioto, isto é, União Européia, EUA e Japão. O governo brasileiro optou, afinal, por uma redução entre 37% e 39% sobre uma curva de projeção para 2020, que em inglês definem como o Business As Usual (BAU) e que nós, no Brasil, chamamos de Bau-Bau. (risos) Pensamos que é altamente problemático definir-se uma redução sobre uma projeção de aumento. Defendemos que se estipule um ano de referência 1990 como em Kioto, ou 2005, como estão fazendo os americanos –um estado brasileiro, São Paulo, já o fez-- e se calcule uma redução sobre isso e não sobre o Bau-Bau. De qualquer maneira, por incrível que pareça, essa posição do governo foi um avanço sobre uma posição anterior que não queria nenhuma meta de redução, embora ainda tenhamos uma margem grande de ambigüidade porque na hora de votar a Lei no Senado a maioria liderada pelo PT não aceitou as emendas da senadora Marina Silva estipulando um ano de referência e retirando a menção à que essa redução seria “voluntária” se é voluntária, não é obrigatória! (aplausos)

Bem, com tudo isso a posição do Brasil acabou sendo melhor do que aquela que Lula e sua candidata expressavam há ainda alguns meses que pretendia que a questão de reduções deveria se aplicar apenas para os países desenvolvidos ficando a China, a Índia e o Brasil a vontade para continuar emitindo sem limites. A emergência de Marina no cenário obrigou-os a adotar um discurso diferente sobre o clima, o que é bom. Consideramos a posição brasileira aquém do necessário mas, tragicamente, se compararmos com a China e a Índia é mais avançada.

O drama de Copenhagen é que a distância entre o máximo que os diplomatas conseguem consensuar e o mínimo que o planeta precisa para que o aquecimento global não ultrapasse os dois graus é abissal. Devemos separa duas coisas: a redução de emissões é dever de todos. O paradigma de Kioto não serve mais. A China tornou-se o principal país emissor e os países em desenvolvimento emitem 60% dos GEE, atualmente. O que vai definir nosso futuro são as emissões per capita, nem o histórico de emissões mas sim as emissões futuras em números absolutos. Por isso todos devemos cortar emissões!

Em relação ao financiamento internacional para conseguir isso, para passarmos a uma nova era de baixo carbono, aí sim, tem que valer a responsabilidade dos países que foram historicamente responsáveis pelo acúmulo de 70% dos GEE na atmosfera. Devem pagar 70% da fatura.

Vamos pressionar nosso governo a assumir sua parte e vocês o francês para que faça a dele. Tivemos aquele encontro Lula-Sarkosy na Amazônia que produziu bastante espuma e pouca substância e nós verdes brasileiros temos criticado certas derrapagens de nossa política externa. Legitimar a eleição de Ahamadinejad como Lula fez, foi um erro grave. Não pode haver legitimação internacional de uma fraude sangrenta seguida de um golpe branco com massiva violação dos direitos humanos, prisões, torturas. Não se pode legitimar politicamente uma figura que nega a evidência do holocausto nazista e pratica uma política nuclear aventureira. (aplausos)

Lula não foi tão longe quanto Hugo Chavez nesse caminho mas fez declarações inaceitáveis de legitimação dessa figura sinistra, internacional e nacionalmente isolada. Já Chavez aliando-se a ele apenas evidencia o que pensamos dele: uma falsa esquerda. O petro-populismo nada tem de progressista, nem na América Latina nem no Oriente Médio, o vermelho-marrom (le rouge-brun, menção a uma esquerda social-fascista) não é de esquerda! (aplausos)

Lula faz de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU a meta principal da política externa brasileira. Trata-se de um erro. Isso nos traz problemas com outros países da América Latina que são contra: a Argentina e o México, por exemplo. Seria mais conseqüente ter outra meta: a criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente da ONU para poder regular, inclusive, o cumprimento de metas na questão climática (apalusos).

Quero deixar claro que nossa posição, no que pesem essas críticas, não é anti-Lula. Reconhecemos que houve avanços nos seus governos da mesma forma que os houve nos do ex-presidente Fernando Henrique. O Brasil avançou, as coisas melhoraram, mas é preciso ir além, é preciso ir para uma economia verde, de baixo carbono, é preciso ir além dos limites produtivistas da social democracia. (aplausos) Nossa posição é pós-Lula. Marina Silva representa isso.

Esta chegando a hora em que os verdes, na França e no Brasil, deixam se ser uma força secundaria (em francês: une force d’appointe) chegou o momento de sermos uma grande força de inspiração de transformações na sociedade. Na França conseguiram isso com a espetacular campanha recente de Europe Ecologie. No Brasil vamos conseguir isso no próximo ano. Não buscamos nos transformar numa força hegemônica, muito menos hegemonista, a moda daqueles velhos partidos de esquerda, mas queremos inspirar em torno de nossas idéias uma ampla gama de interessados na transformação para uma mudança civilizatória.

Caros verdes franceses, espero, daqui a dez anos, estar de volta aqui para ver de vocês e para contar de nós verdes brasileiros, a história dessa mudança, a história dessa transformação que cada vez mais está na ordem do dia. Obrigado a todos.

(aplausos)


 
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